O que há pra hoje?

POESIA COLABORATIVA
Suor. Espaço de exercício poético e livre escrita...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O ralo do mundo


E onde é que fica o ralo do mundo?
Fui na beirada do mundo. Não achei. Nem entendi.

Feliz, contentei-me em escorrer pras águas do mar!

E onde é que fica o cú do mundo?

Haja resposta pra dar.

domingo, 20 de novembro de 2011

Cantiga de Água


Passo por baixo da ponte...
Deixo a corrente levar.
No rio sou pedra corredeira,
que não deixa o limo pegar.

"- Como bom barco no mar...
- Eu vou, eu vou"*
- Canto uma cantiga pro mar...
- Odo Oiá, no meu canto.

Passo por baixo da ponte...
Me deixo levar pelo mar.
Sou ido, pedra corredeira,
que não deixa o limo pegar.

- Navego no profundo mar...
- Eu vou, eu vou...
- Canto uma cantiga pro mar...
- Odo Oiá, no meu canto.

Éhhh!
Água de Cachoeira.
Éhhh!
Festa de som e beleza!

* Citação, Otto "Saudade".

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11/11/11

Seis falos... seis pontas, seis pontos no portal de Aquário que se abriu.
Seis seres, seis veredas, seis meios, seis configurações de um sistema complexo de encontros.
Ser, ser, ser.
Interser.
Fazer uma ação em concerto, um concerto de seis peças e aedos soados nos seios de muitas vozes, um concerto em multidão.
Que as fraternuras nos guiem pelas seis veredas de então.
Data doce, doce simetria no sertão.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nonsense

- Vlad, quando lerei meu último Becket?
- Não sei. (Pausa) Quando Godot chegar?
- Mas quando? Quando ele chega? Hoje?
- Ele disse que viria na segunda-feira. Não falou? (Pausa) Ele não falou, meu caro Stragon?
- Mas que dia é hoje? Segunda?
- Já não sei! Há quantas segundas mesmo estamos aqui esperando Godot passar?
- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.... 1394, 1395, 1396, 1397... 20556, 20557, 20558....
- Chega!
- Vlad, quando lerei meu último Becket?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Aquela Quinta-Feira - 27 de outubro de 2011


Marcha soldado, cabeça de papel

Quem não mar chá direito

Sai preso do Campus.


Em solidariedade aos colegas da USP.



segunda-feira, 31 de outubro de 2011


Gripada

Os pensamentos tão entupidos quanto as narinas

E se assim escrevo a poesia sai resfriada

Febril e com leve enxaqueca.



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Hora do deleite

Protesto!
Hora de deleite é hora de deleite.
Não venha tomar-me o direito de sonhar, de permitir meu devaneio poético.
Hora de deleite é hora de deleite, ora bolas.

Protesto!
Hora de deleite é hora de deleite.
Então se deite,
se enfeite,
não necessariamente nessa ordem.
Porque o bom deleite bagunça...
porque o bom deleite derrama e se espalha por todo canto...
porque o bom deleite desmancha e dissolve-se com a saliva...
com saliva ou pranto.

Então, com saliva ou pranto:
hora de deleite é hora de deleite.

Com a delicada Colaboração de Paulo Vitor Cruz
no ar.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Cezarianas - quaisquer delas

um talhe, um corte
um talhe, uma corte, um corte
um corte, um talhe, uma corte, um corte

tesoura, faca, facão, espada, serrote, navalha, bisturi, pedra afiada, punhal, faca amolada, foice, alicate, serra, aparador, liquidificador, cortador, fatiador, gilete, dente afiado, estilete, linha 10 com cerol, tesourão de jardinagem, cortador de grama, canivete, espinho, alumínio rasgado, ferro e aço afiado, lâmina de vidro quebrado, cacos de espelho no chão.

um talhe, um corte
um talhe, uma corte, um corte
um corte, um talhe, uma corte, um corte
um parto.

Felicidade Bigorna

Depois de uma longa pausa de repouso o menino acordou.
Descanso merecido.
Acordou, espreguiçou-se (impressionante como a palavra espreguiçar parece mesmo estar espreguiçando-se).
Abriu os olhos. O branco do dia invadia a janela e deixava a visão turva, cega com o claror. Aos poucos as pupilas acostumavam-se.
Parou, pensou, pensou bem...
Olhou direito, reflexivo, e falou:
- É! Acho que estou voltando ao trabalho.
Ascendeu o primeiro cigarro do dia. Fumou-o. Fumo-o até o último sinal de fumo.
Em seguida ascendeu em felicidade e gozo.
Refestelado ao prazer sem vaidade, prazer que é representação do absoluto, prazer que é só redenção e nem sequer faz gosto de ser.
O pensamento era só felicidade...
mas, voltando a si, refletiu mais uma vez, re-pensou:
- (pesaroso) Eita, responsabilidade!
E riu-se num bailado doido.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A menina e o passarim


A menina cantava, um cantar doce e fortuito, melodioso que só.
De onde tudo onde era canto da terra se escutava o ulo da pequena sereia.
Mas gostava de ficar sozinha no quarto, a menina,
A menina batia-se nas paredes....
Não as enxergava.
Parede nenhuma e parede não havia.
Mas chocava-se duramente contra elas.
Lançava-se louca e violenta contra todo e qualquer obstáculo de concreto que a si se apresentasse.


Dormia na geladeira, e passeava pela casa andando pelas paredes...
Era de uma soltura, a menina, de um arejamento de fazer medo.
Da janela do quarto chegava sempre a visita pra menina.
Era dito e certo que ia acontecer, e to
do mundo sabia até a hora.
Toda noitinha lhe chegavam os pássaros, vezes em bando, vezes só.
Entravam felizes em alvoroço. Serenos com seus destinos.
Havia noites com mais, outras com menos, mas as aves estavam sempre ali, no momento oportuno e ordinário.
A menina delicadamente lhes retirava os olhos e os devolvia à natureza.
Os pequenos olhinhos eram jogados no jardim onde se florecia flores azúis e carmim.
Cada olhinho virava um tubérculo donde brotava o caule que enramava e abria-se em flor, azul ou carmim.,
Era um belo jardim...
O mais belo.
Belo de se fazer inveja.