O que há pra hoje?

POESIA COLABORATIVA
Suor. Espaço de exercício poético e livre escrita...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que eu mesmo montei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá o deleite é o método
Lá a existência é uma aventura
De modo tão eloqüente
Que tudo é um convite a criação
das paredes brotam versos
os sofás compõem músicas
e tenho inspiração como em nenhum outro lugar jamais tive

E como farei experimentações
Gozarei como poeta
Brincarei de ser cantor
Dançarei com os móveis
Tomarei banhos de cachoeira!
E quando estiver cansado
sentarei ao pé da escada
E o próprio rei me contara histórias
de meninos do mato
de artistas viajantes
de domadores de impossibilidade
de acrobatas do infinito
de malabaristas do cotidiano
E eu regozijarei todo de tanto despudor e vida viva
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra dimensão.
Os cozinheiros são músicos e alquimistas
Tem instrumentos os mais variados,
do sopro a percussão.
Tem escada poesia
pra gente escalar.
Tem as mais belas bailarinas e atrizes
com que se possa flertar.

E quando a tristeza sem jeito
a dor no peito e os problemas
ensaiarem me devorar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que eu mesmo montei
Vou-me embora pra Pasárgada.


( livre recreação com o poema de Manuel Bandeira )

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

da descomunicação e dos panos quentes


poxa,
não brinca assim de mentir pra mim
de fazer cena
de inventar saídas.

Faz isso não,
não sabe que sou moço de teatro?
que sou versado nas artes de interpretar?

pra mentir pra mim, seu bobo
tem de interpretar melhor este papel.
interpretar com mais verdade

fica tão bobo
tentar me dizer uma desverdade
que nem você acredita.

se quer brincar de teatro
não subestime o espectador

fazer o que?
mal começo o ano e já fui arrastada pro palco!

bem vindo dois mil e doze
dois mil e dose
dois mil e doce

embora as permanências sejam muito sedutoras
ando flertado com a partida
e por que não?
e se eu for?


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Badameco-eco

Dor quando a gente enterra,
Erra.

Pois surge sempre que a palavra
Lavra.

Dor não é coisa que se procure,
Cure.

Cuida do peito que inflama:
Ama.

Cuide para que a vida reverbere
Gere.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ZUNIDO DA MATA

(ou A sutil arte de controlcêvear)


Curupira é menino esperto,

só faz gol de calcanhar


Curupira é menino astuto.

Vigia a mata noite e dia.

- Ponho sabença no que quero! - diz ele.


Curupira é menino traquino

Mas não usa armas de destruição em massa

para proteger ... suas serenas casas,

e cultivar a sua paz...


Curupira é menino esperto

Desvenda olhos para que se veja a chuva.

Este tipo de chuva, freqüente,

abundante, que quase ninguém

se deixa aprender a ver


Curupira é menino astuto

Nele habitam multidões

Percorreu a Trilha Inca

E com seus movimentos provocou erosões,

destronou permanencias

e ameaçou a integridade de várias ruínas


Curupira é menino traquino,

traquino e sabido, com seu exemplo ensina:

- Trilha com integridade d'alma seu caminho!

sábado, 17 de dezembro de 2011

CONEXÃO USB

Com Maria de Souza


O gesto próximo,

da mão direita - mais ativa...

Vicia a gente numa porta.


O tempo

vicia a gente numa porta.


E quando a conexão não se estabelece...

acontece alguma coisa que não sei entender.

Qual o quê?

Mas por que é que eu não consiguo estabelecer

uma conexão USB?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Poesia Queer

Uma drag queen.
Seu nome: Samantha Flower!
Como fazer um nick drag:
juntar o nome do primeiro bichinho de estimação e com o nome da primeira rua em que se morou!
Minha drag: She-Ra Bonocô!
Saudação: Orixá pop, Alec, de Amelie da Areal!

Cego Aderaldo


Cego Aderaldo na beirada da morte, moribundo fala com a Vida!

Vida, volta!
Quero sentir teu calor.
Frio, vida! Frio, vida! Sem teu cheiro, tua cor.
Mas miro, intuo, ouço paralém da dor.
Vou-me embora, já não sobra nada.
E vou-me embora, pois tudo se acaba.
Vejo e num vejo nada.
Vejo as coisa narrada...
Vejo mesmo é meu benzim avuano...
Dou-lhe um tristi adeus.
Mas prossigo caminhano.

Para o menino novo e seu violão.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Casa 37

Aos Manoéis (Barros/Bandeira)

Vou-me embora pra Pasárgada!
Lá sou amigo do Rei.

Vou-me embora pra Pasárgada!
Deitar minha cabeça de orixá queer.

Deixo uns rastros, dos passos que marcaram de leve o chão.
Meus passos pesados, fundo fincaram suas marcas no grotão.
E agora há só a leveza de Pasárgada que tornou-se meu rincão.

Vou-me embora pra Pasárgada!
Lá sou silêncio e recolhimento.

Vou-me embora pra Pasárgada!
Deitar minha cabeça voar fora da asa.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Trabalharia


Assinar documento.
Criar planilhas.
Supervisionar.
Carimbar e assinar.
Carimbar e assinar.
Planejamento.
Reunião, aqui, ali e acolá.
Manter: disposição, sorriso e bom humor.
Estudar, estudar, estudar.
Carimbar e assinar.
Carimbar e assinar.
Fazer o plano, corrigir o trabalho.
Avaliar.
Re-significar os problemas.
Manter: a ética, a diplomacia, e a delizadeza.
Carimbar e assinar.
Carimbar e assinar.
Correr bastante. O tempo é sempre curto.
Incêndios para apagar.

E no fim do expediente. Fechar a porta e...
esquecer.

Lugar de trabalho é no trabalho, pra trabalhar.

Todo outro trabalho que houver há de ser, tão somente, o que me fará gozar.