O que há pra hoje?

POESIA COLABORATIVA
Suor. Espaço de exercício poético e livre escrita...

segunda-feira, 28 de março de 2011

#P(risão)#

Então ela riu, e seu riso foi arranhado pelo aparelho que traz pra ajeitar os dentes. Saiu um riso quadriculadinho, que me envolveu num xadrez em cor-de-branco-e-boca.

Xadrez mesmo, daqueles que prendem a gente.


Minha jaula: #o mundo todo#, do riso dela pra dentro.

sábado, 26 de março de 2011

Aparências de Amor

Parece que sempre amei errado.
Ou, então, de fato, nunca permiti que o amor, tocado no outro,
desnudasse a alma, revirasse o corpo, me tomasse pelo avesso, e...
...revelasse a mais intima parte, toda ela, da qual fujo, e sou.

Meu coração em festa


Um salão em festa é o meu coração:
a música está tocando
e Bailando, reggaeando,se expressando na dança
estão os meus sentimentos.
As paixões que sempre querem ser vividas dançam no centro;
Ódio e desejo se cumprimentam;
As impotências e as realizações pairam num eterno flerte;
E é festa!
Medo e coragem dividem a mesma mesa e compartilham o mesmo copo.
A tranquilidade contempla a felicidade de ir e vir
e indo assim, numa infinita dança meus sentimentos ou se devoram ou trocam carícias.


Meu amor vive escondido
quase nunca se mostra
resguarda-se da superfície
pra dentro é que se move
Meu amor está guardado
em fiapos de memórias
mas ele dói
Dói, dói, dói
um doer de impulso e de desejo
de não permancer, de amar sem doer.
Coração em festa

Aguaceiro


As nuvens desabam
A água não se sustenta no céu
umidece a telha
sulca o chão
rompe calha
ensopa corpos
revira asfaltos
faz correnteza
enche casa
mareja olhos...
Frescor de outono
Prenúncio de verde paisagem.


sexta-feira, 25 de março de 2011

Didática de invenção: poesia de amor

- Amar de tudo um pouco! - decretou o poeta.
- Há coração que suporte tanto amar? - inquiriu o aprendiz de poeta temeroso pela resposta.
- Sem amar é que não suporto. Mas é assunto assombroso. Não se fala de amor em poesia. Falar de amor em poesia é tarefa vã para os poetas imberbes, é assunto apenas para bardos experimentados. Melhor trilhar outros rumos que falar de amor. Poesia de amor é desvio dos ignaros poetas jovens.
- Quimera vil, meu ardoroso poeta. Por isso meus versos soam pobres?
- Começar pelos descomeços. Escrever sempre pelos cotidianos. Falar de amor é tarefa que carece estrada. Exige soltura. Árduo demais para um aprendiz.
- E em natureza de metalinguagem?
- Talvez. Caminho possível.
- Bem, já tenho então minha primeira poesia de amor.

Leia-se, cumpra-se, publique-se.

terça-feira, 22 de março de 2011

Poesia de Quintal

Era assim
No quintal de Vó Elza... - Eita, mãezona rabugenta!
... havia um pé de siriguela e parque e brincadeira.
Um pé de brincadeira com raízes invisíveis e escondidas e famintas.
Suas raízes comiam sabores alucinógenos de criança que entorpeciam primos e primas em folguedos.
Raízes que retronutriam crianças brincantes, trepadas em galhos frágeis e fortes e torpes.

Era assim
No quintal de Vó Elza... - Eita, mãezona rabugenta!
... havia um pé de pinha e frio e morto e misterioso.
Um pé de morte com raízes famintas e grandes e para fora e que queriam tomar todo o quintal, serpentinamente.
Um pé de pinha morto. Tinha sido plantado por vô Renato, que desde que nasci era também morto, e por isso talvez fosse o pé de pinha também morrido e enigmático e de raízes/serpentes/túmulo.

Painho, um dia quis enfrentar a morte do pé de pinha.
Painho fez o balanço.
Fixou o balanço no galho horizontal mais forte (bíceps do pé de pinha).
Era o florescimento da vida na morte daquele pé moribundo. Festa!

Na inauguração do balanço... Na inauguração da brincadeira... Senti-o. Sentei.
Voei tão tão tão tão alto. Tão alto, tão alto, tão alto.
Queda.
Caímos, o braço do pé de pinha e eu.

Quedou o braço mais forte do pé defunto de pinha.
O pé de pinha (morto), filho de vô Renato (morto), recusou-se a brincar...
Recusou-se a brincar para sempre.

terça-feira, 15 de março de 2011

Estomago - volume 2 (ou Boca)

Eu te degusto toda...
Te gosto.
Meu gostar é do gosto do gozo;
Teu gosto, em gotas me cai.

Tuas águas minhas.

Transbordamentos, vexames.
Tanta maré vazando
derramamentos amorais.

Te degusto toda,
te sorvo
Num liquefeito delírio ginecofágico.

segunda-feira, 14 de março de 2011

VIVER.,,
voar sem saber usar as asas,
nadar sem barbatanas,
se defender com armas produzidas pelo medo,
passar a perna no tempo
e sentir.

VIVER.,,
beber água gelada em dia quente
saborear o doce do que ainda não foi tocado pelos fetiches (e do que já foi)
saboregozar uma mulher perfumada
namorar na rede e
gozar numa orgia gastronomica.

VIVER.,,
arrumar a casa e ouvir música
saber ser mais facil arrumar a casa do que a vida
saber que é melhor chorar
do que prender magoa
e chorar

VIVER.,,
porque hoje é segunda
porque sempre há uma segunda chance
porque existem os amigos e os encontros
porque o vinho embriaga
e viver é um dom.

quarta-feira, 2 de março de 2011

REEDITANDO AUTORIDADES

Aqui os poemas não são tributados.
basta passar e arejar pensamentos
Com a antropologia e a "cibernética" de Gil se faz poesia colaborativa...
e fica um segundo suspenso das concepções de propriedade, autoridades e autoralidades...
mesmo depois de completada a edição.