O que há pra hoje?

POESIA COLABORATIVA
Suor. Espaço de exercício poético e livre escrita...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Banho de Chuva

Quando chovia dançava sem som em seus próprios desvãos...
A menina corria na chuva... estavam todos ali, protegidos, mas ela insitia em se manter na chuva... num deleite de banhar-se.
E banhava gostoso...
Refestelava-se com o prazer que o banho de chuva lhe proporcionava.
Abriu todos os armários...
esvaziou todas as gavetas...
destruiu os três cofres que, em casa, guardava.
e levou tudo para o quintal...
pra um belo banho de chuva.

LAMENTO SERTANEZ INHENTRE AS MONTANHA DU SOL

Pur entri as montanha bela,

num grandi vali silencioso e calmo, passo uns tempo doce...

Lá do alto dium castelo sertanejim e brancalvo...

Si vivo, vivo apenas indiante di minhas imagem...

Pra todos os dia indiante do espelho:

mi vejo, mi olho, reszcolhu, reszfaçu i amostro sempre um dus meus corpo visto,,,

I saio vago, inhermo pur aí,

isperano, no inhesmo, u cutidianu passar.

I maiszium dia,

i maiszium um dia,

i maiszium i um i um i um i um i um...

Si vivo, vivo apenas indiante di minhas imagem...

i mi perco um poco nas sombra íntima dos dia...

dos dia qui num mi querem ver impassar...

Oh, diaszins lento, calmo!

Oh, diaszins ruinzim de impassar!


Esses dias senti uma vontade profunda de me suicidar. Parei... pensei .... e me esvai em poesia. Todas elas de uma densidade assustadora, reveladoras de mim sem meu consentimento. Foi jorro, vômito; tive medo. Destruí todas elas! A vontade remoça!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Arrumando a casa sem dor

Limpando a velha casa-templo...
Re-alinhando a complexa dinâmica do cotidiano,
numa empreitada íntima.

Começo por mim.
Olho mais fundo, mas de perto a minha própria existência.
Ouvindo o que gosto.
Lendo as obrigações até o ponto que posso.
Lendo os quintais e me refestelando com eles.
Derrubando os preconceitos que engessam.
Re-adequando posturas antigas demais.

Limpando a velha casa-templo...
Re-alinhando a complexa dinâmica do cotidiano,
numa empreitada íntima.

Sentindo cada dia por vez.
Matando, ou melhor, sacrificando, todos os cães que muito ladram ou mordem. Qualquer sinal de grosseria, violência, abuso, arrogância ou aridez é respondido com um golpe tão violento quanto fatal de pura gentileza desconcertante.
Deixar os sentidos leves.
Sentir tudo, tudo, em alguma medida, me dirá respeito.
Não ser feliz o tempo todo.
Mas procurar dar vazão para a alegria.

Limpando a velha casa-templo...
Re-alinhando a complexa dinâmica do cotidiano,
numa empreitada íntima.

Antropofagizar...
entender que o Brasil é resultado da mistura, que sou parte disso
e que "a pureza é um mito" (Oiticica), e que os mitos se gastam e morrem.

sábado, 1 de outubro de 2011

Espectando o dia passar

Sentou-se no batente de casa e deixou-se estar.
Era uma madrugada velha...
parecia a mesma de sempre, mas tinha um jorro distinto.
Ouviu o canto dos pássaros que teciam aquela manhã rosada:
tiê, pardais, tibós, sofrês,
era uma manhãzinha laranja que anunciava um dia novo e o início de uma nova história.
Parou para assistir ao espetáculo.
Ascendeu o cigarro de fumo de rolo e resolveu ficar ali para ver, para assistir a vida naquele dia passar.
Ia ficar no mais absoluto silêncio,
Esperando que o dia corresse como sangue nas veias do tempo.
As expectativas não iam longe.
Havia de ser um diazinho qualquer como qualquer outro.
Mas apostou na surpresa, apostou na possibilidade de surpreender-se.
...
uma mulher passou devagar,
um homem, um burro velho e um poeta.
Voltou a fumar o velho cigarro de fumo.
Não demorou veio o cair da noite com seu véu azul estrelado.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Socorro!! A rigidez do mundo me consome...
E eu avesso a ela e a tudo transformado em formulas, cálculos, ângulos
Dispenso os eqüiláteros que buscam certa congruência dos meus obtusos desejos, estes que me impulsionam para o entre lugar
Para o território do desconhecido
Onde tudo permanece sem forma,
Livre e pulsante como toda força é!
Não há indecisão maior:
Ou vivo ou sou feliz!
Quantas encruzilhadas
E nenhum despacho!

Ta aqui sartando fora de mim uma vontade latente

De ser loucamente, nem que seja brevemente,

Tudo que desejo ser

E podendo ser, não hei de me perder ermamente

Em nacos de memórias, em rumos, trajetórias e

Fiapos de histórias.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sozinho e acompanhado

Era preciso uma foda boa, uma bela foda avassaladora...

Uma foda daquela de destruir quarteirões...

Sua libido era tanta que a carne tremia, que os pelos se eriçavam, que a pele transpirava, que o sexo todo se molhava...

Era abastado.

Tinha do seu lado a companhia ideal.


Mas tudo parecia flácido e antigo demais.


Tédio.


Era isso.


Olhou em torno.


Terminou no banheiro numa deliciosa masturbação na madrugada.