O que há pra hoje?

POESIA COLABORATIVA
Suor. Espaço de exercício poético e livre escrita...

sexta-feira, 22 de março de 2013

Estacionado, vírgula

Evitava , vírgula , vírgula , vírgula,
que pra fazer poesia,
rasgaria tudo por dentro,
e não queria, e não queria, ou queria,
e se queria não sabia,
ou não sabia querer,
o fato é que saía,
e saía, é, saía, e saía,,,
jorrava tudo que é poesia,
que sangrava tudo por dentro,
hemorragia, hemorragia, hemorragia,
sintoma de bem querer.
Ele evitava , vírgula , vírgula , vírgula,
mas não parava de escrever , , ,

domingo, 17 de março de 2013

domingo, 10 de março de 2013

Prazeres

Tudo posso
Algumas coisas me engordam
mas tudo posso
Algumas coisas dão ressaca
mas tudo posso
Por algumas coisas perco os prazos
mas tudo posso
Por alguns prazeres de muita coisa sou capaz
mas tudo posso
e se não posso
que é poder?

sexta-feira, 8 de março de 2013

De si um nó

(Em Si menor)

De si, sei esse pouco
De si,
Diz sim,
Diz só,
De Sol a Sol,
De mim, só
Digo o que sei.
Digo, se é que sei.
Do que se sabe, o que se sabe
De si,
De fato?
Disse?

De si, sei esse tanto
De si no entanto
Digo que sou sim, só
Diz-me e
Dê-me a mim o sol.
De todo sol prevê-se um dó.
De quantos sóis se faz um uno nó?
De prematuro ou bem vindouro caso
Douro o caso
Do rompante neste casulo
De si se sabe o fato?

mim e si, sós
fizemos outro só
no mundo

Por um fio





- Não, nem é desapego. Mas se ele se for assim, tão fácil,
 na primeira oportunidade é porque nem era. 
E como o que não tem remédio remediado está,
me rasgo por dentro e viro a página.

quinta-feira, 7 de março de 2013




Não tenho as respostas. Não tenho as respostas. Não tenho as respostas.
Também estou a querer sabê-las,
Nem sou mulher maravilha
Mulherão feito
Ou essa matéria de gente
Que sabe o que faz e pro que veio
Sou matéria comum
banal
gente qualquer
qualquer brasileira 
que como eu há 10 outras melhores

E nem vou pedir desculpas
Porque não é culpa
O que compõe a minha incompletude

Plenitude, plenitude, plenitude.
é de que
é que de
de que é
que de é

segunda-feira, 4 de março de 2013

Cunhã

Na casa de cunhã
Come-se um peixe fresco dum tempero de sabor sem precedente.
Na casa de cunhã com outras cunhãs, todas cunhãs
cunhazando as tardes, cunhazando os dias
tem Apolo servido na mesa, brômios, compotas de doce e de água
e de água que passarim não bebe
Na casa de cunhã onde cachaça doce se adoça com abacaxi,
abacaxi que, creio, tenha vindo de Irará
e as surpresas de conquista dançam o coração
Na casa de cunhã tudo está servido, de cachaça pink abacaxi
a chama de uma flor
e tem diáspora, e gracilianos, e tese/jogo, e partidas, e ai se sesse, e fotografias, e sombras, e cânones, comes e bebes e beijos
na casa de cunhã, com tudo que é cunhã, tornei-me cunhã também...
Uma casa brasileira com certeza, uma casa brasileira.

domingo, 3 de março de 2013

Artesão de si

(Para Fábio Vidal)

artesão de si mesmo 
artista atento 
tece e rompe casulos

se faz e refaz 
na presença inteira 
e na aprendizagem 

sábado, 2 de março de 2013

De como uma decepção torna-se canção

e quem diz que não compreendo
não compreende nada de como realmente entendo, de minha cosmovisão


e quem diz que não faço nada
não sabe nada do que eu faço


e quem diz coisa demais
anda dando "bom dia" a cavalo
ou dando com a língua nos dentes


e fodam-se as línguas de trapo do mundo todo


e enquanto falam mal de mim nos corredores
invisto os meus dias na tessitura do lavoro
na esfera da produção de mim mesmo


"e só tô beijando o rosto de quem me dá valor
pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis"