E quando tudo parece quieto, calmo...
quando o tumulto cessa e é possível ouvir o canto dos pássaros...
quando a alma espera, paciente...
é sinal de que o tédio criou sua poeira verde e de que é preciso revolver a terra, ará-la, virá-la do avesso.
O que há pra hoje?
POESIA COLABORATIVA
Suor. Espaço de exercício poético e livre escrita...
Páginas
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Deu merda!
Pelo telefone
- Puta que pariu!
- Que foi? Rolou?
- Rapaz... (Silêncio. Gargalha. SIlêncio)
- Diz logo, moço!
- Tu não acredita? Liguei pro canal, rapaz, e o cara disse que não tá repassando por falta de segurança!
- (descrente) É mesmo?! Mas...
- (cortando) Moço! Deixa eu te dizer. É que eu to na Bahia!
- É mole?
- Puta que pariu!
- Que foi? Rolou?- Rapaz... (Silêncio. Gargalha. SIlêncio)
- Diz logo, moço!
- Tu não acredita? Liguei pro canal, rapaz, e o cara disse que não tá repassando por falta de segurança!
- (descrente) É mesmo?! Mas...
- (cortando) Moço! Deixa eu te dizer. É que eu to na Bahia!
- É mole?
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
O DIA EM QUE A TERRA PAROU.
Naquela tarde tive um sonho :
Um vírus se espalhou, um vírus chamado medo
Pelas ruas da cidade, pairavam o molhado das chuvas, e a
cidade silenciada pelos ventos que corriam sem encontrar barreiras de
transeuntes
Não havia vigilância nas ruas.
Éramos livres, e dava um medo!
Medo... medo de ver a verdade.
Respirei preocupado. Sabia que não poderia continuar
escondido por muito mais tempo. Sentia ser necessário ...
Lá fora circulavam lobos ou fadas? Ou nada? Como saber?
Talvez devesse eu, tentar mais sentir que entender
Uma coisa era certa.. aquela sociedade provinciana emergente
se deparou com questionamentos, revoltas e... humor! Sim, humor. Humores novos.
Tudo era agora um eterno inesperado.
Como num tabuleiro de xadrez, se as peças importantes se
vão, menos o seu ‘rei’ estará seguro de sua maldição.
Mas agora ali, éramos todos piões diante de um imenso e
desconhecido tabuleiro. Um sistema poderoso, devorador e... carismático.
Caos. Essa era a ERA vivida nas ruas, bairros e moradias,
apenas desespero em meio ao que estava tranqüilo... e quieto.
De qualquer modo, em meio a cosmos, pesadelos, crenças e
modas, respiramos acontecimentos e expectativas em constante movimento.
(sonhos, delírios e especulações – uma tarde com Arthur e Ariana – sexto dia de uma greve curiosa)
domingo, 5 de fevereiro de 2012
1. CORO
Escuridão. A luz ilumina a cena, vagarosamente ao som de um tique taquear de relógio. Forma-se um coro de atores, homens, vestidos de modo uniforme (paletó preto, gravata vermelha, cueca, meia e sapatos sociais). Silêncio. Escuridão.
Luz. Sapateiam. Sons dos sapatos. Param. Silêncio. Escuridão.
Luz. Alguém canta em off um sucesso de Carmem Miranda. Nos bolsos, os atores pegam bananas. Descascam coreografadamente. Trepam com as bananas, sexo oral, usam-nas como falos. Tudo dançado. Silêncio. Escuridão.
Luz. Samba de pandeiro. Os atores sambam. Silêncio. Escuridão.
Luz. Em off, vozes de pessoas que falam de suas saudades. Nos bolsos os atores pegam batons vermelhos. Numa partitura executada com criteriosa simultaneidade entre os atores do coro, pintam: boca, círculo na barriga, olho. Silêncio. Escuridão.
Luz. Com intervalos regulares, um a um, os atores entram em cena usando headfones, dançando, cada um a seu modo a música que escutam. Parecem ouvir coisas completamente diferentes. Murmuram suas melodias de modo frágil e inconstante. Murmuram o que escutam enquanto dançam. Escuridão. Luz. Dançam juntos um curta coreografia. Silêncio. Escuridão.
Luz. Um homem apenas. Está nu e com uma maçã nas mãos. Liga uma velha vitrola, ouve-se Nina Simone (Ain't Got No). Come a maçã toda, aos poucos, degustando. Silêncio. Luz cai em resistência.
Luz. Sapateiam. Sons dos sapatos. Param. Silêncio. Escuridão.
Luz. Alguém canta em off um sucesso de Carmem Miranda. Nos bolsos, os atores pegam bananas. Descascam coreografadamente. Trepam com as bananas, sexo oral, usam-nas como falos. Tudo dançado. Silêncio. Escuridão.
Luz. Samba de pandeiro. Os atores sambam. Silêncio. Escuridão.
Luz. Em off, vozes de pessoas que falam de suas saudades. Nos bolsos os atores pegam batons vermelhos. Numa partitura executada com criteriosa simultaneidade entre os atores do coro, pintam: boca, círculo na barriga, olho. Silêncio. Escuridão.
Luz. Com intervalos regulares, um a um, os atores entram em cena usando headfones, dançando, cada um a seu modo a música que escutam. Parecem ouvir coisas completamente diferentes. Murmuram suas melodias de modo frágil e inconstante. Murmuram o que escutam enquanto dançam. Escuridão. Luz. Dançam juntos um curta coreografia. Silêncio. Escuridão.
Luz. Um homem apenas. Está nu e com uma maçã nas mãos. Liga uma velha vitrola, ouve-se Nina Simone (Ain't Got No). Come a maçã toda, aos poucos, degustando. Silêncio. Luz cai em resistência.
DIa D
Eis, hoje, um dia D:
Desespero
Delírio
Desejo
Deleite
Desassossego
Desritimia
Desapego
Desassuntamento
Desaforo
Desafeto
Desvelo
Desnível
Desterro
Desconforto
Desespero
Desditosa cacofonia:
Desmedida
Desespero
Delírio
Desejo
Deleite
Desassossego
Desritimia
Desapego
Desassuntamento
Desaforo
Desafeto
Desvelo
Desnível
Desterro
Desconforto
Desespero
Desditosa cacofonia:
Desmedida
Outra vez! - diz a plateia
Mais uma.
A última.
Derradeira e soturna apresentação pública
do clownesco poeta suicida,
que pula do culme do prédio e quica, grita, rodopia e cai.
Peralta assassino de si.
Contemplando essa desgraça,
a risonha plateia, egoísta (será?), pede bis.
- Ehhhhh!
Delírio.
O poeta, velho e trágico palhaço, tropeça e cai.
Tomba, em cambalhota rota no chão.
O poeta morre a cada respiração para fazer aquele dificílimo número.
- Ehhhhh!
Delírio.
Contemplando essa desgraça,
a risonha platéia, egoísta, em febre clama:
- Outra, outra vez, palhaço!
O clownesco poeta suicida,
que pula do culme do prédio e quica.
Pela última vez.
Quica.
A última.
Derradeira e soturna apresentação pública
do clownesco poeta suicida,
que pula do culme do prédio e quica, grita, rodopia e cai.
Peralta assassino de si.
Contemplando essa desgraça,
a risonha plateia, egoísta (será?), pede bis.
- Ehhhhh!
Delírio.
O poeta, velho e trágico palhaço, tropeça e cai.
Tomba, em cambalhota rota no chão.
O poeta morre a cada respiração para fazer aquele dificílimo número.
- Ehhhhh!
Delírio.
Contemplando essa desgraça,
a risonha platéia, egoísta, em febre clama:
- Outra, outra vez, palhaço!
O clownesco poeta suicida,
que pula do culme do prédio e quica.
Pela última vez.
Quica.
dos humores
Uma performance.
silêncio.
escuridão.
um pequeno foco de luz abre-se em resistência revelando o corpo nu de uma mulher que sustenta-se apenas apoiada pelo contato de sua cabeça com a parede azulejada.
silêncio.
ela move-se vagarosamente com gestos simétricos e sinuosos.
parece querer dançar.
pousa a mão direita na parede.
estalo.
pousa a mão esquerda também.
estalo.
tum tum
tum tum
faz do concreto percussão
maracatu
coco
xaxado
baião
disritmia tanta que a taça quebra tingindo a sala.
cansada para. Cria uma expectativa para o nada.
silêncio.
luz caí em resistência.
silêncio.
escuridão.
um pequeno foco de luz abre-se em resistência revelando o corpo nu de uma mulher que sustenta-se apenas apoiada pelo contato de sua cabeça com a parede azulejada.
silêncio.
ela move-se vagarosamente com gestos simétricos e sinuosos.
parece querer dançar.
pousa a mão direita na parede.
estalo.
pousa a mão esquerda também.
estalo.
tum tum
tum tum
faz do concreto percussão
maracatu
coco
xaxado
baião
disritmia tanta que a taça quebra tingindo a sala.
cansada para. Cria uma expectativa para o nada.
silêncio.
luz caí em resistência.
ORAÇÃO DO DESTAMPADO
CORO: (canta) Evoé, Zagreu!
CORIFEU 1: Eis que ofereço-te ditirambos de meus ais!
Entoamos aedos e cânticos à videira.
CORO: (canta) Evoé, Baco!
CORIFEU 2: Era um líquido fechado numa garrafa,
tampado em mais profundo silêncio,
lacrado.
CORO: (canta) Silêncios inspiram magias e rituais.
CORIFEU 1: Onde está o vinho do sujeito destampado?
CORO: (canta)Lenitivo da dor
sangue da terra
adjuvante do absoluto
CORIFEU 2: Abram-se portas!
CORO: (canta) Evoé, Dioniso!
"Eis a voz, eis o Deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala"*
Evoé!
* Paulo Leminski.
CORIFEU 1: Eis que ofereço-te ditirambos de meus ais!
Entoamos aedos e cânticos à videira.
CORO: (canta) Evoé, Baco!
CORIFEU 2: Era um líquido fechado numa garrafa,
tampado em mais profundo silêncio,
lacrado.
CORO: (canta) Silêncios inspiram magias e rituais.
CORIFEU 1: Onde está o vinho do sujeito destampado?
CORO: (canta)Lenitivo da dor
sangue da terra
adjuvante do absoluto
CORIFEU 2: Abram-se portas!
CORO: (canta) Evoé, Dioniso!
"Eis a voz, eis o Deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala"*
Evoé!
* Paulo Leminski.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Três Marias
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